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O amor

segunda-feira, 28 de junho de 2010

JOSE SARAMAGO



José de Sousa Saramago (Azinhaga, Golegã, 16 de Novembro de 1922 — Tías, Lanzarote, 18 de Junho de 2010) foi um escritor, argumentista, jornalista, dramaturgo, contista, romancista e poeta português.
Foi galardoado com o Nobel de Literatura de 1998. Também ganhou o Prémio Camões, o mais importante prémio literário da língua portuguesa. Saramago foi considerado o responsável pelo efectivo reconhecimento internacional da prosa em língua portuguesa.
Aos 25 anos, publica o primeiro romance Terra do Pecado (1947), no mesmo ano de nascimento da sua filha, Violante, fruto do primeiro casamento com Ilda Reis – com quem se casou em 1944 e com quem permaneceu até 1970. Nessa época, Saramago era funcionário público. Em 1988, casar-se-ia com a jornalista e tradutora espanhola María del Pilar del Río Sánchez, que conheceu em 1986 e ao lado da qual viveu até à morte. Em 1955 e para aumentar os rendimentos, começou a fazer traduções de Hegel, Tolstoi e Baudelaire, entre outros.
Depois de Terra do Pecado, Saramago apresentou ao seu editor o livro Clarabóia que, depois de rejeitado, permanece inédito até à data de hoje. Persiste, contudo, nos esforços literários e, dezenove anos depois, funcionário,então, da Editorial Estudos Cor, troca a prosa pela poesia, lançando Os Poemas Possíveis. Num espaço de cinco anos, publica, sem alarde, mais dois livros de poesia: Provavelmente Alegria (1970) e O Ano de 1993 (1975). É quando troca também de emprego, abandonando a Estudos Cor para trabalhar no Diário de Notícias e, depois, no Diário de Lisboa. Em 1975, retorna ao DN como Director-Adjunto, onde permanece por dez meses, até 25 de Novembro do mesmo ano, quando os militares portugueses intervêm na publicação (reagindo ao que consideravam os excessos da Revolução dos Cravos) demitindo vários funcionários. É, hoje, controverso o modo ditatorial como saneou jornalistas do DN. Demitido, Saramago resolve dedicar-se apenas à literatura, substituindo de vez o jornalista pelo ficcionista: Estava à espera de que as pedras do puzzle do destino – supondo-se que haja destino, não creio que haja – se organizassem. É preciso que cada um de nós ponha a sua própria pedra, e a que eu pus foi esta: "Não vou procurar trabalho", disse Saramago em entrevista à revista Playboy, em 1988.
Da experiência vivida nos jornais, restaram quatro crónicas: Deste Mundo e do Outro, 1971, A Bagagem do Viajante, 1973, As Opiniões que o DL Teve, 1974 e Os Apontamentos, 1976. Mas não são as crónicas, nem os contos, nem o teatro os responsáveis por fazer de Saramago um dos autores portugueses de maior destaque - esta missão está reservada aos seus romances, género a que retorna em 1977.
Três décadas depois de publicado Terra do Pecado, Saramago retornou ao mundo da prosa ficcional com Manual de Pintura e Caligrafia. Mas ainda não foi aí que o autor definiu o seu estilo. As marcas características do estilo saramaguiano só apareceriam com Levantado do Chão (1980), livro no qual o autor retrata a vida de privações da população pobre do Alentejo.
Dois anos depois de Levantado do Chão (1982), surge o romance Memorial do Convento, livro que conquista definitivamente a atenção de leitores e críticos. Nele, Saramago misturou factos reais com personagens inventados: o rei D. João V e Bartolomeu de Gusmão, com a misteriosa Blimunda e o operário Baltazar, por exemplo. O contraste entre a opulenta aristocracia ociosa e o povo trabalhador e contrutor da história servem de metáfora à medida da luta de classes marxista. A crítica brutal a uma Igreja ao serviço dos opressores inicia a exposição de uma tentativa de destruição do fenómeno religioso como devaneio humano construtor de guerras.
De 1980 a 1991, o autor trouxe a lume mais quatro romances que remetem a factos da realidade material, problematizando a interpretação da "história" oficial: O Ano da Morte de Ricardo Reis (1984) - sobre as andanças do heterónimo de Fernando Pessoa por Lisboa; A Jangada de Pedra (1986) - em que se questiona o papel Ibérico na então CEE através da metáfora da Península Ibérica soltando-se da Europa e encontrando o seu lugar entre a velha Europa e a nova América; História do Cerco de Lisboa (1989) - onde um revisor é tentado a introduzir um "não" no texto histórico que corrige, mudando-lhe o sentido; e O Evangelho Segundo Jesus Cristo (1991) - onde Saramago reescreve o livro sagrado sob a óptica de um Cristo que não é Deus e se revolta contra o seu destino e onde, a fundo, questiona o lugar de Deus, do cristianismo, do sofrimento e da morte. (sendo esta a sua obra mais controversa).
Nos anos seguintes, entre 1995 e 2005, Saramago publicou mais seis romances, dando início a uma nova fase em que os enredos não se desenrolam mais em locais ou épocas determinados e personagens dos anais da história se ausentam: Ensaio Sobre a Cegueira (1995); Todos os Nomes (1997); A Caverna (2001); O Homem Duplicado (2002); Ensaio Sobre a Lucidez (2004); e As Intermitências da Morte (2005). Nessa fase, Saramago penetrou de maneira mais investigadora os caminhos da sociedade contemporânea, questionando a sociedade capitalista e o papel da existência humana condenada à morte.
Saramago faleceu no dia 18 de Junho de 2010[3], aos 87 anos de idade, na sua casa em Lanzarote onde residia com a mulher Pilar del Rio, vítima de leucemia crónica. O escritor estava doente há algum tempo e o seu estado de saúde agravou-se na sua última semana de vida.
O seu funeral teve Honras de Estado, tendo o seu corpo sido cremado em Lisboa.
Debeladas as controvérsias a que nunca se furtou e que interventivamente procurava, a marca que ficará na mente e coração do Povo Português será o legado que José Saramago deixará e isso compete à história decidir.
frases:
Gostar é provavelmente a melhor maneira de ter, ter deve ser a pior maneira de gostar.
Para temperamentos nostálgicos, em geral quebradiços, pouco flexíveis, viver sozinho é um duríssimo castigo.
É preciso variar, se não tivermos cuidado a vida torna-se rapidamente previsível, monótona, uma seca.
Há situações na vida em que já tanto nos dá perder por dez como perder por cem, o que queremos é conhecer rapidamente a última soma do desastre, para depois, se tal for possível não voltarmos a pensar mais no assunto.
Não sou um ateu total, todos os dias tento encontrar um sinal de Deus, mas infelizmente não o encontro.

sábado, 5 de junho de 2010

Serge Gainsbourg



Antes de qualquer definição ou de qualquer coisa que se possa dizer a respeito de Serge Gainsbourg, o que realmente deve ser dito é que ele foi a materialização de toda e qualquer improbabilidade.

Morou na casa de seus pais até perto dos 40 anos e em rede nacional de TV francesa assediou Whitney Houston.

Tímido. Serge Gainsbourg foi tímido e muito vaidoso, pois sabia que era artista completo, querido e venerado pelos grandes nomes de seu tempo. Filho de imigrantes judeus, cresceu na França ocupada pelos nazistas. Quando veio a desocupação, Gainsbourg decidiu moldar a nova liberdade de um jeito franco. Daí um personagem popular, mas nunca unânime.

Segundo Sylvie Simmons, autora do livro Serge Gainsbourg - Um Punhado de Gitanes,
ele era “um extrovertido tímido, um realista surreal, um iconoclasta que ansiava por tornar-se ele mesmo um ícone, um homem que podia beber com policiais num dia, assistir a filmes pornográficos com Dali no outro, fazer amor com algumas das atrizes mais belas do mundo (sem jamais deixar que elas o vissem nu) e morrer solitário em sua cama depois de uma vida inteira de auto-abuso absolutamente heróico, ou pelo menos incontestavelmente artístico”.

Serge Gainsbourg foi alguém que existiu e criou para acabar com paradigmas.

Como acontece com todo gênio, a intelligentsia gravitava em torno dele enquanto o grande público passava ao largo de sua motivação, o que o deixava deprimido a ponto de, por um bom tempo, ter pavor de fazer shows ao vivo e lidar com a rejeição da platéia. Comportamento teoricamente incompatível com o autor das mais belas canções, disputado por todas as cantoras da França — que queriam de Gainsbourg sua próxima música de sucesso.

O homem que se parecia com uma tartaruga elegante foi compositor, escritor, diretor de cinema, cantor, fotógrafo, intelectual, artista plástico, ator, bêbado, provocador e amante. Populista, fez de tudo. Por não dominar o inglês, não conquistou o mundo. Mas, convenhamos, se existe palavra inglesa que soa divina num sotaque francês ela é “Star”.

Com seus indefectíveis cigarros Gitanes sempre acesos, um copo de bebida que também o acompanhava o tempo todo, Serge sabia ser o sedutor e mostrar a quem quer que fosse que sua vida era o reflexo de sua arte e que sua arte era o que ele sempre desejou ser enquanto vivesse.

Foi ele que de forma cavalheira apresentou a chanson francesa ao pop. E fez com que o pop se encantasse com a nova amizade. Mostrou, com seus medos e sua ousadia, a face escondida do povo francês. O sempre sisudo francês e a sempre misteriosa francesa se apaixonaram por ele — às vezes não admitindo um amor por criação tão contundente.

Quando Gainsbourg morreu, em 1991, a França parou. “Todos conseguem lembrar o que estavam fazendo quando souberam da morte de Gainsbourg. Foi um grande choque, porque ele sempre esteve presente, era parte da nossa cultura. Sempre aparecia na TV, fazendo alguma coisa maluca”, disse Nicolas Godin, da banda Air. O obituário do jornal francês Libération disse que ele “bebeu cigarros demais”. Brigitte Bardot, com quem Serge teve um romance e gravou a primeira versão da clássica e até hoje polêmica “Je T’Aime, Moi Non Plus”, saiu de seu retiro para falar dele. François Mitterrand, então presidente da França, disse que “Gainsbourg elevou a canção ao nível da arte. Ele foi nosso Baudelaire, nosso Apollinaire”. Bandeiras, por toda a França, foram hasteadas a meio-pau. Multidões foram à porta de sua casa deixar garrafas de Pastis e maços de Gitanes em sua homenagem.

Como diz uma inscrição na parede da casa no número 5 da Rue de Verneuil, “Serge não morreu. Ele está no céu, trepando”.

A vida do poeta e compositor Serge Gainsbourg (Lucien Ginzburg) chega aos cinemas.
Vie Heroique-(o filme )começa nos anos 1940, ainda Gainsbourg
era um jovem na cidade ocupada de Paris.
A história segue a vida do poeta, compositor e cantor pelos amores tumultuosos, mas também a sua vertente artística que fez dele um ícone da cultura francesa.
Eric Elmosnino interpreta a o artista francês e a modelo Laetitia Casta surpreende como Brigitte Bardot, uma das amantes de Gainsbourg.
Já Mylene Jampanoï representa o último amor de Gainsbourg.