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segunda-feira, 19 de abril de 2010

Morrendo de Saudades - Livro




Morrendo De Saudades
Curitiba - Paraná
Literatura nacional
Descrição: “morrendo de saudades” é um livro que surge na hora certa, para demonstrar o empenho dos pais separados em encurtar distâncias, superar barreiras, vencer preconceitos....
memórias de um pai separado.
Autor: Marco Teixeira- médico homeopata.


Entrevista do autor para a revista Pais & filhos:


O MÉDICO HOMEOPATA MARCO TEIXEIRA CONTA COMO VIVEU A SEPARAÇÃO E COMO FAZ PARA SE MANTER PRÓXIMO DOS FILHOS


Onze de setembro de 2001. Entre uma consulta e outra, assisti ao que milhões de pessoas também viam ao vivo pela TV. A primeira torre já havia caído e, agora, outro avião afundava-se na segunda torre. Nas televisões, nos jornais e nas revistas ecoava a ideia: o mundo não seria o mesmo. Estava atordoado. Um dia antes minhas próprias torres gêmeas haviam sido reduzidas a pó: o meu casamento acabara. E me sentia tão perdido como uma pulga dentro de um saleiro. Sentia saudades dos meus filhos. Decididamente, o mundo não seria o mesmo, e isso não tinha nada a ver com as torres pulverizadas por Bin Laden. Sabia que o meu Bin Laden estava, em parte, dentro de mim. E eu é que teria de derrotá-lo.

Naquele momento percebi que, apesar de distante, não poderia mais me considerar um só. Aquilo que sempre procurei nas filosofias orientais fluiu como por mágica e materializou-se à minha frente: EU não era mais EU apenas. Tornei-me múltiplo, abandonei meu ego. Uma amiga me disse: “Depois de ter filhos você perde o direito de se suicidar”. Isto é, perdi o direito sobre mim e adquiri a certeza de que, a partir daquele instante, todos os meus atos e palavras teriam de passar pelo crivo da consciência. Agora eu sabia que, quando se magoa o coração de uma criança, algo se rompe. Não queria magoar meus filhos. Imbuí-me da firme determinação de fazer com que mágoas fossem raras entre nós. Continuo (e continuarei com essa crença até o fim da vida) acreditando que as crianças têm de ser poupadas. A infância deve ser sagrada e tratada com absoluta atenção.

O budismo fala da vida como um breve passeio pela estrada esburacada. Se soubermos que teremos de passar por essa estrada, doa o que doer, fica mais fácil. O problema é que passamos a vida tentando fugir ou encontrar uma estrada perfeita, que não existe. Hoje, faço tudo para que o relacionamento com meus filhos se torne uma estrada o menos esburacada possível. Estou me esforçando ao máximo para compreendê-los, amá-los e apoiá-los no que for preciso. Não sei se é o suficiente. Penso que estou distante demais e que vê-los duas vezes por semana é pouco.

Algum buraco sempre haverá nessa estrada. Passei a questionar a minha capacidade de transmitir valores, passei a questionar o processo educacional vigente, o método com que os pais ensinam a vida aos filhos. Gostaria que meus filhos fossem honestos, amorosos em sua relação com o mundo e que aprendessem uma lição: respeito. Que respeitem o mundo e que respeitem a si mesmos. Esse é o equilíbrio a ser buscado.

Oito anos se passaram desde a minha separação. Não estar perto dos meus filhos me privou de momentos imprescindíveis, momentos que não vivi, momentos que perdi irremediavelmente. Nunca vou recuperar essa perda. Como todos os filhos, os meus são especiais, mágicos, criativos e fantásticos. Morro todos os dias de saudades, e isso vai se repetir pelo resto da vida. Sei que ainda vou dizer a eles que a vida é difícil, que eles precisam lutar constantemente. Mas também sei que haverá ocasiões nas quais vou lhes dizer que a vida é simples, fácil e descomplicada, e que nós é que a complicamos desnecessariamente. E que, apesar de a estrada ser esburacada, sempre haverá borboletas azuis no ar e o perfume dos lírios flutuando pelas beiradas para nos animar a continuar. É isso: a vida continua. Sempre.

4 comentários:

  1. ja li achei maravilhoso, boa dica a sua, vi na livraria e comprei, nao me arrependi

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  2. Ganhei o livro no meu aniversario o mes passado, muito bom ver que como eu, um pai separado, tem muitos outros sentindo as mesmas coisas.Excelente livro.

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  3. obrigado amigos, suas palavras são o maior incentivo para continuar escrevendo. Aproveito para convidá-los a visitar meu blog : www.marcoconrad.blogspot.com
    Um abraço, Mirna, Sérgio e João.
    Marco Teixeira

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