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Paz profunda

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O amor

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

FERNÃO CAPELO GAIVOTA ( for Clara)

Fernão Capelo Gaivota era diferente da maioria das gaivotas de seu bando, que só pensava em lutar por comida, junto aos barcos de pesca. Ele amava voar. Passava dias inteiros sozinho no mar, treinando vôos rasantes em alta velocidade, para aflição de seus pais e desaprovação de todos. Em vão tentou fazer-lhes a vontade e agir como os outros. Seu único interesse era aprender mais e mais sobre a arte de voar.
Vezes sem conta vezes se desequilibrou, caindo violentamente na água.
Depois de uma queda que quase lhe custou a vida, ia desistir, mas, repentinamente, descobriu um modo de controlar sua velocidade. Levantou vôo, e sem pensar em morte ou fracasso, conseguiu atingir a marca estonteante de trezentos e vinte quilômetros por hora, inimaginável para qualquer outra gaivota viva. Sua alegria foi enorme. Radiante, pensou: ?As gaivotas podem ser livres, podem procurar seus peixes no mar, em vez de ficarem ao redor dos barcos de pesca, guerreando por migalhas.? Quando Fernão Gaivota voltou para seu bando, exausto e feliz, depois de longas horas de treinamento, ansioso por lhes comunicar a grande descoberta, encontrou as gaivotas reunidas em círculo, à sua espera. A gaivota Mais Velha chamou-o ao centro e, para seu completo horror, o acusou de irresponsável e subversivo. Lavrou a sentença: por violar as tradições e a dignidade de sua espécie, foi banido do grupo para sempre.
Exilado, passou a viver sozinho. Sua única tristeza era não poder compartilhar os conhecimentos que, com intenso treinamento, iam aumentando a cada dia.
Muitos anos depois, já bem velho, no meio de um vôo, encontrou duas gaivotas, inacreditavelmente brancas e brilhantes que o conduziram através da neblina. Disseram-lhe: ?Está na hora de voltar para casa? e ele compreendeu que acabava de entrar em outra dimensão e em outra etapa de aprendizado.
Nesse lugar, havia um bando pequeno de gaivotas que voavam divinamente e cujo objetivo era encontrar novas técnicas, melhorando sempre a qualidade de vôo. Lá encontrou um velho mestre, Chiang, de quem se tornou aluno especial por sua enorme persistência e capacidade de aprendizagem. Com Chiang aprendeu que poderia voar no passado e no futuro, mas que o mais difícil era desenvolver a bondade e o amor.
O destino de Fernão era ser instrutor e foi crescendo em seu coração o desejo de regressar e mostrar à nova geração que a vida era mais que tão somente uma luta por comida. Quem sabe não haveria algum exilado, desesperado à procura de um mestre? Assim pensando, com a facilidade que desenvolvera através da prática, voltou para o lugar onde vivia seu antigo bando.
Nesse momento, o jovem Francisco Gaivota, enfurecido, voava em direção ás Grandes Colinas, banido para sempre. Vociferava insultos aos mais velhos quando, subitamente, ouviu em seu pensamento: ?Acalme-se e perdoe. Ajude-os a compreender?. Tornou-se discípulo de Fernão Gaivota. Aos poucos, outros jovens banidos se juntaram a eles, determinados a voar. Um dia, Fernão decidiu levá-los de volta e desafiar o bando. Através de acrobacias, demonstraram a todos a maravilha da liberdade. Mais e mais jovens foram se reunindo a eles e finalmente, apesar dos insultos da maioria, quem se decidisse a voar já não era mais expulso do convívio dos seus. Fernão, vendo concluída sua missão ali, se retirou, deixando a Francisco a tarefa de continuar a ensinar.
A importância de voar é perceber que não somos apenas um amontoado de ossos e penas. Voamos e desejamos voar cada vez mais alto e melhor, porque somos uma idéia da Grande Gaivota, somos uma idéia de ilimitada liberdade e o paraíso consiste em atingir a perfeição.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

"Playing for Change"

O engenheiro de som Mark Johnson de Nova York, reuniu artistas populares de todo o planeta ao som das mesmas canções.
Conseguiu recursos para viajar pelos mais variados cantos do mundo, captando aqui e ali não somente os músicos de rua mais representativos de suas localidades, como oferecendo a outros ouvintes o que só os locais conheciam. Não tardou e gente famosa da música mundial apoiou o projeto, como Bono Vox, do U2, um dos maiores entusiastas.
Diferentes tons de pele, vestuários, línguas e condições sociais são visíveis em clipes conjuntos que mostram não somente Ridley, que Mark descobriu na Califórnia, como também o folclórico Grandpa Elliott (Deficiente visual de Nova Orleans), Dimitri Dolgonov (Rússia), Tula (Israel), Django Degen (Espanha), o conjunto indígena Twin Eagles Drum (Novo México) e os comoventes corais populares Sinamuva (África do Sul) e o Omagh Community Youth (Irlanda). Uma reação bastante comum entre os apreciadores da obra tem sido notada pelo pessoal do projeto: um respeito muito maior pelos artistas de rua.
Além do DVD e de mais de 40 CD gravados , o projeto realiza shows com públicos enormes mundo afora, carregando consigo alguns dos músicos do projeto. Todos os produtos geram recursos para a fundação de Johnson e para os músicos. Mesmo assim, muitos deles não saem de seus tradicionais pontos na rua, seu palco cotidiano.

Abaixo Stand By Me - Fique do meu lado.
"Em algum momento da sua vida, não importa quem você é, de onde veio ou vai, você vai precisar de alguém que fique do seu lado...".

Me emociona muito, todas as vezes que assisto este vídeo, acho simplesmente maravilhoso.

sábado, 28 de agosto de 2010

Mario Benedetti

"Si me ves triste"

Si algún día me ves triste,
no me digas nada...
solo quiereme.

Si me encuentras en la soledad de la oscura noche,
no me preguntes nada...
solo acompáñame.

Si me miras y no te miro,
no pienses nada...
comprendeme.

Si lo que necesitas es amor,
no tengas miedo...
amame.

Pero si alguna vez dejaras de quererme,
no me digas nada...
recuérdame.

Mario Benedetti.

Nasceu em Paso de los Toros, 14 de setembro de 1920 em Montevidéu.
Poeta, escritor e ensaísta uruguaio.
A última obra publicada, "Testigo de Uno Mismo" ( Testemunha de mim mesmo), foi apresentada em agosto de 2008. Antes da última entrada no hospital, Benedetti estava trabalhando em um novo livro de poesia cujo título provisório é "Biografía para Encontrarme".
Morreu aos 88 anos, no dia 17 de Maio de 2009 em Montevidéu. .